domingo, 19 de agosto de 2012
Parabéns a Vocês
Quando fiz 15 anos a 15 de Agosto os meus pais acharam qua a coisa era para festas decentes e... levaram-me a um passeio por buarcos e pela serra da boa viagem, na figueira da foz. Bem.. parece tudo normal, mas eu queria velas, amigos, a minha língua com outras línguas e não estar com os meus pais... se possível. Pois... afinal de contas era o meu, o meu, o meu dia de anos. Amuado, mal agradecido, sozinho num banco de trás de um datsun. Assim foi o fabuloso aniversário. Na altura, pelos vistos, não podia escolher e hoje posso. Não escolhi nada de especial este ano... costumo dizer: "surpreendam-me". E foi o que fiz. esperei na cama. Depois no sofá. Depois na mesa de jantar ao jantar. Depois ao deitar. E tive algumas surpresas, ainda que as aguardasse em sonhos do quotidiano. O que não contava era emocionar-me com as pequenas coisas. Surpreendi-me então comigo, eu pequena coisa também: Não tive medo de morrer. Não estive cansado. Não estive eufórico. Não dei importância a coisas que não devia dar importância. Como o mais tonto dos mortais olhei o indicador de solidão que tinha mensagens e que eu atendia quando tocava e, mais, limitei-me a ficar feliz - sim, essa palavra bacoca e inutilizável para bons textos-... feliz por quem me ligava, me escrevia e se dava ao trabalho de perder cinco segundos. Ora caramba, se eu sou cinco segundos na vida de alguém isso é muito especial. E foi no facebook - outra palavra inutilizável para bons textos e já agora para boas canções -... com muitos de vocês a escreverem uma só palavra ou um só beijo que me emocionei também - a emoção da era digital -... palavras escritas desde os amigos de infância à adolescência, de escritores que admiro a colegas de trabalho, que não podem ser outra coisa se não amigos, dos fazedores de cores aos mal empregados num país desempregado... desses a todos os outros eu fui cinco ou mais segundos. E hoje eles... vocês... por causa da minha deficiência emocional, são pelo menos cinco segundos todos os dias para o resto da minha vida, agora mais curta, mas sem viagens no dia de anos dos meus filhos à serra da boa viagem. Pelo menos não num datsun.
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