segunda-feira, 28 de maio de 2012

quando era pequeno.... e era do Porto

Tinha 11 anos e era do F.C.Porto. Tinha-me mudado de terras do Sado para terras sem mar e só com montanha. 1987. Todos eram do Benfica e do Sporting. Então lembro-me de mudar um ano antes para o Porto, o clube, sempre torcendo ligeiramente pelo Sporting. Dizia que era dos dois mas ser dos dois era lá possível. No dia da final, quando brincávamos com duas pedras a fazer de baliza, éramos todos jean marie le pfaff ou mickel Lund, mas sentia um arrepio na espinha com as arrancadas do Futre os marabalismos do Madjer. Aos 11 anos não acreditava que ganhássemos, mas ser criança é não sofrer muito por antecipação e gozei e delirei na mais bela final de sempre de uma taça dos campeões europeus. Lima Pereira e Gomes não jogavam, mas tinha o sonho, e viena… a final, foi linda. Festejei na cama com um sorriso imaginando como seria a festa na cidade onde hoje vivo, até porque não havia canais e canais a mostrarem a falta de dentição dos adeptos que quisessem berrar e gritar para um câmara… mas deve ter sido um espanto, entre os que tinham dentes e os que não os tinham porque em 87 tínhamos ilusões mas já aí vinha Cavaco Silva e, mesmo com os fundos europeus, placas dentárias não era bem a coisa a investir. Enfim. Um ano depois vi pela primeira vez um jogo nas Antas. O paco llorente fez-me chorar. Fomos eliminados pelo Real Madrid. Os anos passaram. Larguei a bola aos 15, a que jogava e a que via, viajei em exclusivo na música e na anestesia e depois, quando conciliei sem vergonha o futebol com o que queria fazer e ser já muita gente era do F.C. Porto. Voltei ao sporting, ao eterno sofrimento, a não querer saber e a desesperar. É mais poético. Vim para o Porto viver, e o Porto clube não parava e não pára de ganhar. Acho que sou sempre dos outros, talvez daqueles que não ganham tanto. Hoje percebo porque nunca voltarei a ser do Porto futebol…. porque sinceramente acho que não se consegue fazer o que o Barcelona e o Bilbau fazem contra o centralismo de Madrid. Aqui mandam-se bocas, aqui diz-se que se vai a Lisboa "varrer uma feira e partir tudo", aqui… por mais razão que existam às vezes, a razão perde-se. Para mim, o meu porto… a equipa… é a que na Áustria em 1987, com maioria de alemães nas bancadas, mostrou ao mundo que a magia não precisa de muito dinheiro. Hoje precisamos de um calcanhar. E quem este país elegeu não permite cá artistas que inventem truques e façam magia.

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