À minha volta, nas mensagens privadas do Facebook, sempre longe dos blocos de informação da rádio, sempre longe das gordas ou magríssimas dos jornais, as pessoas são despedidas. Quem o ordena: Os licenciados de Harvard de Baixo, os maçónicos, os opus qualquer coisa, os opus tudo e mais alguma coisa, os políticos do Poder e os que já estiveram no Poder, os autarcas dos partidos com nome pronunciável à credibilização de um empréstimo bancário, sem fiador, à espreita para serem directores ou encaixarem em organismos que se alimentam da cobrança dos outros, as rémoras do tubarão. Demagogia é com certeza aquilo que escrevo porque o capital e os organismos são necessários, pois claro. Não digo que não, mas podiam ser organismos decentes! E quando estamos bem não nos lembramos.
Eu estou bem, e apesar dos despedimentos, da perda das
rotinas que viciam mas dão pão às bocas, apesar dessas minudências, à minha
volta também tudo vai estando bem. Finalmente percebemos que as empresas
estavam à espera das palavras de um primeiro-ministro (em caixa baixa porque
não merece outra coisa) e de um governo verdadeiro até ao tutano que dissesse
que este ia ser “um ano difícil”. Esperaram… não como quem espera o orgasmo do
amante que isso ainda tem amor e tem trabalho de mãos, de língua e de coração.
Não, eles esperaram como quem espera um golo após o árbitro assinalar a grande
penalidade em final de um Mundial. A forma como comemoram o golo é despedindo
pessoas pulando de alegria nas costas das palavras “verdade” e “recessão”. As
gorduras, as eternas gorduras estão a ser queimadas entre o calçadão inventado para
os de sapatilhas de quatro dígitos e os ginásios com instrutores iguais aos do
programa dos gordinhos. À volta dos que estão à minha volta, os que continuam empregados
como eu - mas a fazer o que não gostam… ao contrário de mim - baixam a cabeça e
labutam ou fazem desenhos a assinalar as tarefas das 14h00 e das 14h30 numa
folha que só tem mentiras, e só podia ter: porque não conta o cocó das 14h15.
Mas à volta dos que estão à minha volta, ou não lhes falam e vasculham como
hienas as secretárias e gabinetes à cata de restos vivos e mortos ou comentam
que deveriam ter acolhido a quase escravidão só por mais um ano até à reforma.
Depois, há os que telefonam a toda a hora e só não se benzem e ficam roxos de
espanto porque já não é prático, nem moda.
Amanhã estou eu à vossa volta, mas não me resigno ao
inevitável. Isto é uma enorme contradição, mas a minha pobre licenciatura e o
meu pobre ateísmo devem ser mais livres do que as colecções secretas de cromos
e de fontes de informação para chegar lá… lá? Onde é que isso fica?