segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Parte da Noite

Há um suposto bar de hotel, e sabendo de antemão que não é bar de hotel entramos e um minuto depois de balcão – porque não existem mesas mas apenas máquinas de tetris e pacman – onde nos apalpam, beijam e segredam lambidelas nos lóbulos… somos tão desejáveis.

Há um motel de uma quinta junto a uma auto-estrada, agora portajada, onde não se entra nem de bóina nem de boné, nem de calças a mostrar o rego nem embriagado. Alcatifa, mesas de vidro, discos de cantores românticos portugueses… curiosamente os mesmos que são acompanhados por multidões de avós, mães e filhas com os maridos a dormir no carro ou ao relento para lhes comprar bilhetes. Gente de bem. Mas os maridos do relento, de vez em quando, ouvem os cantores românticos neste motel e pedem se sentam no colinho. Pedem champanhe. Somos tão ricos.

Há uma rua onde os rapazes entram nos carros a 15 euros. Mas também os que entram a 200 euros. Uns querem comer e outros comprar roupa e cintos dourados que digam DG. Aí perto, há um espaço que ensina a colocar preservativos com a boca. Agora já perguntam se quer ser ”chupado com ou sem…”. Agora já se beija com língua. Aquela chegou a semana passada e continua debaixo da agência bancária com informação dos mercados a passar em cima, como se fosse um rodapé em movimento dos jornais televisivos esquizofrénicos. Dizem que ela “ataca ali”. Somos tão engraçados.

Lá vem o branco
Lá vem o albino
Lá vem o cão português
Queres aturar o gordo
Fica tu com o ricalhaço com a mania
Aquele novo é meu
Fica com ele que gosta de bater com o pólo Lacoste nas costas das ninas
Quem te disse
Olha sei
O santinho disse-me que a mulher tem hemorróidas e não pode fazer anal, mas também não me pede anal… não percebo.
Com o preto eu não vou, gasta o dinheiro todo e depois vem bêbedo pedir de graça
Olha estou aqui quinze dias sem sair mas levo bom dinheiro
Filha, dormes depois
Só quero voltar para casa e pousar a cabeça na almofada

Eles são tão estúpidos

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