Há um motel de uma quinta junto a uma auto-estrada, agora portajada, onde não se entra nem de bóina nem de boné, nem de calças a mostrar o rego nem embriagado. Alcatifa, mesas de vidro, discos de cantores românticos portugueses… curiosamente os mesmos que são acompanhados por multidões de avós, mães e filhas com os maridos a dormir no carro ou ao relento para lhes comprar bilhetes. Gente de bem. Mas os maridos do relento, de vez em quando, ouvem os cantores românticos neste motel e pedem se sentam no colinho. Pedem champanhe. Somos tão ricos.
Há uma rua onde os rapazes entram nos carros a 15 euros. Mas
também os que entram a 200 euros. Uns querem comer e outros comprar roupa e
cintos dourados que digam DG. Aí perto, há um espaço que ensina a colocar
preservativos com a boca. Agora já perguntam se quer ser ”chupado com ou sem…”.
Agora já se beija com língua. Aquela chegou a semana passada e continua debaixo
da agência bancária com informação dos mercados a passar em cima, como se fosse
um rodapé em movimento dos jornais televisivos esquizofrénicos. Dizem que ela “ataca
ali”. Somos tão engraçados.
Lá vem o branco
Lá vem o albino
Lá vem o cão português
Queres aturar o gordo
Fica tu com o ricalhaço com a mania
Aquele novo é meu
Fica com ele que gosta de bater com o pólo Lacoste nas costas das ninas
Quem te disse
Olha sei
O santinho disse-me que a mulher tem hemorróidas e não pode fazer anal, mas também não me pede anal… não percebo.
Com o preto eu não vou, gasta o dinheiro todo e depois vem bêbedo pedir de graça
Olha estou aqui quinze dias sem sair mas levo bom dinheiro
Filha, dormes depois
Só quero voltar para casa e pousar a cabeça na almofada
Eles são tão estúpidos
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