sábado, 31 de março de 2012

afoga-te

Meu amor… há um mundo ao contrário e eu estou afogado, a respirar. As árvores que vês espelhadas no rio são as árvores onde faço corações com as nossas iniciais. Há amoladores e o canivete que trago é afiado para desenhar e para tirar as tripas aos peixes. Só aos maiores, os de comer. Só aos maiores porque eles comem os mais pequenos. Os bichos hexagonais que flutuam no teu mundo aqui… andam à volta dos candeeiros de tecto. Pergunto-me se é para fugirem ou se gostam de viver de costas para as coisas. Vem para a água e fecha os olhos. Não te vejas ao espelho, deixa-te vir. Afogados no meu mundo passamos a estar afogados no mundo… porque o mundo a dois é de todos.  

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