segunda-feira, 5 de março de 2012

Ela não pode fazer fast-forward ao coração

Não posso. Tenho que passar por isto. Não posso fazer fast-forward ao coração.
É ela que o diz. Nunca eu usaria imagem tão bela, porque passei a vida a fazer fast-forward, stop, pause e play.
Ela passa por isso como passei eu, como tu, como o senhor e a senhora o menino e a menina. Pelo menos enquanto não houver débito directo para a dor. E enquanto não… dói. Sempre. Mas não temos de passar por isto pois não? Isto… o quê? O amor o desamor, o encontro o desencontro, o aperto no peito a vontade de vomitar? Isto… o quê? Chorar não conseguir chorar? Respirar ter falta de ar?

“Um leão morreu dias depois de a fêmea ter sido abatida”.
Billie Holiday canta the man i love e bebe, passa por isto e nem sabe o que lhe passa ou o que lhe pesa mas… mas é tão belo o sofrimento que lhe sai da boca. Não faz fast-forward ao coração.
A notícia do leão no zoo de uma capital qualquer do Mundo tem direito a duas colunas e fotografia. “Até os leões amam” titula o diário na página de curiosidades.

Pause: A vida não segue… silêncio.
Play: Dói como tudo, dói não ter nada.
Rewind: Isto fica por aqui!
Isto o quê? Isto o quê se isto nunca foi nada!
Fast-Forward: Nunca pensei voltar a sentir isto…
Isto o quê? Isto… o quê? Alegria falta de fôlego dor de barriga falta de apetite não ter sono voar sem saber se vai aterrar.

Pode começar e acabar no Reino da Utopia onde existe vida para lá da morte também para os leões. Nesse reino não existem jornais com curiosidades.

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