- “O que é mais rápido? Tudo. Basta escolher”.
Mas o cozinheiro não desce. Na lista, ao cimo da lampreia e do bitoque, uma fotografia com o logotipo do restaurante: o próprio cozinheiro, de chapéu e bigode. E o telefone toca:
-“Tentou ligar para este número?”
Era o cozinheiro, ele mesmo!
- “Sim sim, estamos aqui mesmo na sua sala de jantar, mas queríamos ir ver uma peça de teatro e temos já pouco tempo. Já aqui estamos na sala de jantar há um quarto de hora”
-Tudo bem, escolham, mas querem jantar é?
????
Quer dizer, querem jantar agora ou mais tarde?
- Mas estamos aqui na sua sala de jantar?
- Olhe, a sério, o que é mais rápido?
- Qualquer coisa, basta o cozinheiro descer.
E nós decidimos, antes de nos tornarmos no próximo prato, já
sem fome e atrasados como sempre, que seria a cultura a alimentar-nos. Cultura
não enche a barriga? Ai isso é que sim!Um cenário pequeno e perfeito, uma tontice tão deliciosa e sarcástica sobre as disputas entre vizinhos, sobre a inveja e sobre os prazeres e os negócios do vinho, uma coisa assim daquelas que nos fazem lembrar que se pode rir no teatro, bater palmas a meio, comentar e comer com os actores no fim. É teatro. E o teatro é do povo, há quem não se lembre nem se queira lembrar disso. E este tem Shakespeare, hits de todos os tempos, História e histórias. E o povo de Verdoejo, que também tem actores e gente que faz a revolução a sério todos os dias contra o sistema, esse povo não perdoa e para lá de ir ao teatro, oferece empanadas, bolo de chocolate, vinho e cultura para debater e rebater.
Quanto ao cozinheiro d’ O Cozinheiro envio-lhe um sincero abraço. Mesmo que não desça ou que não possamos jantar, encontramo-nos no teatro das Comédias do Minho. Acredite que vale a pena.
Ó pá... isso é lindo! É o verdadeiro Portugal no seu melhor: com alma, alegria e barriga cheia :)
ResponderEliminar(Confesso que tenho uma pontinha de inbejidade dessas tuas deambulações culturais :P)