quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Medo de Mim. E Vocês?

Já estive numa prisão. Numa penitenciária. Num estabelecimento prisional. Já me masturbei a pensar nas relações entre mulheres em estabelecimentos prisionais. Tenho um grande amigo que é guarda prisional e não foi mais o mesmo depois de ver um enforcado. A melhor peça de teatro que vi na minha vida curta foi em Paços de Ferreira, no estabelecimento, o prisional. Tragédia grega. Ninguém tinha cara de assassino. O encenador Nuno Cardoso gritava-lhes e eles não respondiam. Voltavam às celas e depois ensaiavam. A estreia teve guarda anti-motim. Tive medo. Mas eu conhecia-os. Mas nunca se conhece ninguém pois não? E eu tive medo mesmo depois de muitos ensaios a que assisti. Numa passadeira a luta corpo a corpo, a luta da tragédia grega era a valer. Tudo se descarregava naquele palco / passadeira vermelha. E depois fomos todos para casa e eles continuaram lá. Continuou o que se apaixonou “por uma agarrada”, o que assaltou a bomba de gasolina, o que “desgraçou a vida por causa do cavalo” e o que arranjava televisões. Esse, o mais talentoso de todos aqueles actores. Não lhe tocavam apesar de o dele ser o maior dos crimes ali. Mas ele arranjava as televisões. E era um actor incrível. Não sei se ainda o é. Foda. Pensava em voltar a eles e de repente estou numa gala – a de que falei no texto anterior com sarcasmo – com negros e miúdas loiras, negros e morenas à minha frente. Músicos de Hip Pop dizia eu. Pois… sou perfeito a adivinhar digo para mim mesmo. Sempre. No palco eram alegres, contagiantes, tinham nomes, óculos escuros e eram são serão actores. Hoje revi as caras deles, as caras que estiveram quatro horas à minha frente a levar com aborrecimento e arrotos elegantes da sopa de pântano ao jantar. Hoje vi-os reclusos de Vale de Judeus. Tive medo. Mas só hoje tive medo! Porque ontem eram músicos, certo? Têm músculos, histórias de arrepiar, são mais novos do que eu e os palcos que vão pisar serão enormes sempre. Tenho medo de os ver de novo ao pé de mim, medo de os não reconhecer, medo de os ver como eles não são. Não são reclusos. Não são músicos. São actores. Tenho medo de mim. E é de mim que devo ter medo. Quero voltar a Paços e saber do elenco da Oresteia, voltar a sentir o medo de estar nervoso por eles e me arrepiar. Quero ir a um lugar fora de Vale de Judeus, esse lugar sem que a prisão me prenda enquanto vejo apenas e apenas teatro.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Ressabiado na Gala. ui...

Devo deixar aviso prévio: o que escrevo e o que me move é ser um profundo ressabiado… mas realizado com o amor, sobretudo. Amor, esse lugar-comum que continua no top das coisas mais importantes da vida… outro lugar-comum. Posto isto, acrescento que eu sou também o alimento das coisas de que não gosto ou não gostamos. Perdoem-me. O que desboco por não ter dormido é uma espécie de desabafo sobre o pequeno mundo em que pessoas invejosas como eu merecem viver. Um destes dias fui à minha primeira gala. Muito critiquei the Oscars, as passadeiras vermelhas e os Globos de Ouro… da SIC entenda-se. Mas devo dizer que, no que toca a reconhecimento, tenho de admitir que os Globos de Ouro… os da SIC entenda-se… separam convenientemente categorias e, se é para brincar a Hollywood, eles sabem brincar muito melhor do que a gala da SPA a que assisti durante quatro horas com o rabinho no mesmo assento, confortável entenda-se. Fui porque o programa para o qual trabalho com muito orgulho foi nomeado para os prémios e destilo agora tudo porque…. não ganhou. Se ganhasse, o programa para o qual trabalho e onde me sinto bien bien bien, pensaria tudo igual mas não o diria, tenho quase a certeza. Portanto sou uma merda. Disso nunca tive dúvidas. Mas sou uma merda divertida que sabe brincar consigo próprio(a), da hipocondria à distracção, do tamanho dos pés à ignorância. E sou também uma merda transparente, não faço mal a ninguém e sou um menino pequenino num corpo de um tipo com 36 anos.

E então sobre a minha primeira gala? Uma palavra para o meu primeiro jantar de gala: uma sandes de frango Havai da Galp e uma sopa de pântano. Mudança de roupa no carro, nada de gravata, barba com certeza e lenço para o pescoço… com certeza. Depois, e já no CCB, uma perna ou outra que me desperta a atenção, a vontade de beijar o Bruno Nogueira, o Nuno Lopes ou o Valter Hugo Mãe (sobre as mulheres não falo e é verdade que não as gosto vestidas como nos casamentos…, lembra-me sinos e arroz para cima das pessoas… mas sim havia algumas poucas bem bonitas…. deixo os comentários para a sapiente e elegante pipoca mais doce)… o Valter Hugo Mãe e… e os outros que tinha vontade de beijar beijei, porém o Eduardo Lourenço fugiu-me.

Então e os prémios? Ainda bem que perguntam! Detesto perder. Fiquei a saber que Coimbra é uma cidade do Norte, conheci livros para a infância que julguei não existirem, percebi que somos um país de muitos autores e poetas mas que, de facto, não deve existir muita poesia e que teatro bom não o há no Minho, no Algarve, na Beira Baixa, no Alentejo, em Trás-os-Montes... ou até no Porto. Pois, mas conheci melhor ao serviço do programa para que trabalho As Comédias do Minho, a Palmilha Dentada que recusava ver por desinformação e tantos outros trabalhos entre enormes trabalhos que não cabem aqui, mas que cabem num país pequeno. E sim, gosto da Cornucópia, do Luís Miguel Cintra e do Sangue do Meu Sangue… muito, e dos actores do Sangue do Meu Sangue.

Arrotando baixinho e com toda a elegância a sopa de pântano e o frango Havai, delirei quando os miúdos à minha frente – que por preconceito achava nomeados para melhor banda hip-pop – foram os vencedores para melhor peça de teatro. Apesar do centralismo da crítica e do júri, apesar de não perceber o que é entretenimento e o que é informação, apesar de não perceber o que é música - como muitíssimo bem perguntou Catarina ao maestro com o Emanuel ali ao lado a poder responder-lhe – apesar de isso tudo, foi lindo ver a alegria de todo um grupo em palco, sem hipocrisias a vibrar com reconhecimento. Falo dos miúdos da melhor peça de teatro.
De resto, tenho mensagens: João Reis sobe uma oitava. Catarina não te digo nada. Alexandre Almeida, o Kameraphoto deveria ter ganho para eu me sentir parte de Portugal, mas obrigado João Pina pelo teu discurso contra a censura, o esvaziamento das Redacções e o Jornalismo Low Cost crescente. Sabes João, as pessoas tiveram de olhar umas para as outras a pedir autorização para palmas, embora quisessem muito batê-las, as palmas.

Mensagem extra: Malta de Coimbra que sabe que a vossa cidade a nível cultural autárquico é um marasmo – perguntem aos artistas de Coimbra se não é verdade – malta, por favor não invadam a SPA em protesto pelo prémio porque para o ano há mais e não estaremos lá. Queres tu ver que para o ano sou nomeado para o melhor pano de cozinha ao pescoço!!!


P.S. A minha consciência disse-me para não escrever isto. Mas juro que sou boa pessoa e que daqui a pouco volto a tentar escrever coisas fofinhas com flores e amor, com arco-íris que também têm preto e com sonhos de mãos de tesoura com mundos de algodão.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

o oitavo de página

Preciso recordar a imagem. Os olhos são pretos, o cabelo é liso e curto, os lábios semi-cerrados ou semi-abertos como que a rimar com fruta. E não sei por que disparate penso que eles rimam com fruta ou com uma fruta qualquer que seja, uma específica que possa exemplificar. A vermelhidão no amadurecimento dos morangos, o laranja de um dióspiro a derreter, o laranja de dentro e o de fora… talvez porque os lábios dela me apeteçam na imagem como qualquer coisa que apetece trincar ou provar frio. Fruta fria… não como sobremesa açucarada com pacote. É o doce natural de sentir a textura e querer lembrar-me da imagem toda e enquanto o quero fazer, enquanto a quero beijar sabe-me a fruta no pensamento. Mas não posso. Não posso de vergonha e lamento tê-la já perdido faz 21 anos. Eu era um menino que mal sabia ler. Que mal sabia se era homem ou mulher, se era mulher ou homem, se era as duas coisas não sendo alguma delas em particular. Preciso recordar a imagem toda para que se me preencha o peito de ar gelado a entrar, misturado com o aroma de pão de água acabado de sair, pronto para vender. 

A confeitaria assina o mesmo jornal há três décadas, pelo menos. Há 21 anos mal sabia ler e escrever e ainda não andava pela cidade onde confeitaria é palavra para ser levada a sério enquanto o jornal envelhecia e se amarrotava nas mãos de todas as idades desta rua. O jornal pousado na arca dos gelados. Verão e Inverno. É Fevereiro, é Inverno mesmo que as estações desapareçam com as alterações climáticas.

Não sei o nome, não quero ver o nome. Foi o primeiro dos desejos fotogénicos a sério. Porque achei poder tornar-se real, ao contrário das mulheres das revistas para adultos consumidas por adolescentes e por mim adolescente e pré-adolescente. Essas nunca são reais. Ela sim. Ela poderia aparecer a qualquer esquina, a qualquer espera de um verde para peões, a qualquer saída de pão de água. A paixão por aquela cara que não se amarrota com o andar da vida é anterior a tudo o que sabia sobre jornais e anterior à atenção que se deve ter nas coisas à volta da coisa que queremos ver.

12 de Fevereiro deste ano. Ela está ali próxima dos meus cotovelos e agora a seguro da agitação feliz da minha filha que não pára de cirandar a pedir húngaros à senhora do balcão. A imagem, não a recordo toda… apenas os olhos e a boca semi, semi… Não quero olhar. Deixá-la estar assim aconchegada que eu continuo fixado na página par. Preciso recordar a imagem para lá dos olhos pretos e do cabelo curto, por que se não a recordar vou ter de a espreitar … de novo. Tenho a certeza que permanece a mesma, como que à minha espera. E eu a crescer ou a minguar.

Os pais mantêm o oitavo de página. Quando a julgava apenas uma menina mulher, deliciosa e ternurenta que se me apresentava, na minha inocência, como vaidade de pais de província que mandam publicar fotografias dos filhos assim que concluem a licenciatura … quando a julgava assim vaidade dos pais, assim menina mulher, deliciosa e ternurenta ela… já não era. Ela já não Era, do verbo ser… existir.

12 de Fevereiro. Passam 21 anos sob a morte dela. O obituário tem hoje cruzes e anúncios a saldos de missas de sétimo dia. Já é perfeitamente identificável. Há uns anos talvez não. Provavelmente vi apenas uns olhos pretos. O negócio da igreja com os defuntos ou o design monstruoso, destinado a convencer quem pague os anúncios, fazem o leitor saltar as páginas ou escrever comentários absurdos: “os que deixaram de fumar”.

Para o ano não sei se estarei nesta rua, nesta confeitaria de pão e de costumes, e não sei se o jornal se venderá. Mas ela vai ter 22 anos, 22 anos após a sua morte. E de cada ano que passa e que nos amarrotamos ela parece ter sempre a idade dos números por cima da imagem. Vou comprar um húngaro para a minha filha e levar, comovido e apaixonado ainda, a boca semi-cerrada, semi-aberta, o cabelo curto e o delicioso e ternurento olhar de uma página ímpar. A página mais importante do dia 12 de Fevereiro de cada ano… por todos os anos.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Manuel António Pina e o agente Villares

Dias antes de me mudar para a minha vida eterna, o apartamento onde vivia foi vandalizado. Levaram uma Handycam, um afinador de guitarra e abriram uma garrafa de vinho tinto. Ainda não sei quem, ainda não sei quem foi nem desconfio e foi a única vez que me entraram em casa para roubar qualquer coisa que não fosse um fluido ou um pouco de coração e neurónios. No entanto, e por entre a natural atrapalhação dentro dos géneros descontraído e resignado com que encaro este tipo de pequenas fatalidades, esperei que os agentes da autoridade vissem o apartamento e anotassem a queixa – desculpem mas não sei o termo que vos deve estar na ponta da língua – para que eu pudesse ir à minha vida e descansar noutra cama que não aquela, remexida sabe-se lá por que mãos e com gavetas vazias espalhadas por sobre os lençóis. Onde pretendo ou antes a quem pretendo chegar é a um dos agentes da PSP que logo suspeitou ser a acção larápia do gang de Pedro Hispano – a rua deve ter ficado mais famosa – e disse-me que “raramente os bens são recuperados”, o que ia de encontro à minha resignação. Já de encontro à minha descontracção foi a atitude dele, a do agente, que depois de olhar a estante com meia dúzia de livros… “O que vale é que estes tipos não perceberam o mais importante que tem aqui”.

Eu não queria acreditar, até porque o meu preconceito - muito por culpa da imagem que a própria entidade vende no dia-a-dia - não me permitiria pensar que o senhor agente achasse que livros como «Kaputt», de Curzio Malaparte ou a «Montanha Mágica» do Thomas Mann… creio terem sido os livros que ele reparou, fossem “o mais importante”. E ali estava um agente a falar comigo, sem me olhar como suspeito e a referir que também tinha nascido em Angola, depois de ver o meu Bilhete de Identidade. “Sabe, sobre as colónias existe um autor fantástico… Kapuscinski”. Pois que eu já tinha ouvido falar mas não conhecia bem e que me desculpasse a ignorância. Os minutos foram demasiado rápidos para quem acabava de ser vítima de qualquer coisa.

Das poucas vezes que me cruzei com polícias fardados mais do que cinco minutos - mesmo aqueles que abriram a porta à minha amiga Marta quando ela num Carnaval, vestida de coelhinha de Tony Silva se esqueceu da chave de casa - nem mesmo esses que se portaram condignamente perante o rabinho dela de pompom foram tão inspiradores sobre o que para mim e muitos de nós deveria ser a nossa força de segurança, referindo termos precisos.

Hoje revi o senhor agente na televisão, num documentário sobre o enorme Manuel António Pina. Agente Villares. Assim se chama. O agente Villares é uma das pessoas que fala no documentário sobre o gosto pela poesia do MAP e cita poemas do Pina de cor. Fala deles às pessoas que se queixam na esquadra e pensa neles quando é chamado a intervir nas cenas mais reais e absurdas que a vida real tem. É sensato, é sensível e sabe o que é cumprir o dever. Não é, nem deve ser um exótico. É o agente Villares.
Num país que fez uma revolução com cravos, por que não uma força de segurança pública carregada de gente que saiba poemas suficientes para parar a os sangues dos automóveis ou as queixas das mulheres ainda estupidamente casadas? Orgulho-me de ter conhecido o agente Villares e fico vaidoso que ele circunde o meu bairro.
Continuo sem ler qualquer livro do Ryszard Kapuscinski.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Desempregados filhos de gente

Foi a primeira vez dela no Centro de Emprego. Esperou uma hora e foi atendida por uma senhora com óculos maiores do que a cara, com unhas sujas e uma pele de tal forma que se confundia com a parede atrás de si. Papéis, muitos papéis. Tecla "enter" várias vezes e as perguntas da senhora. As perguntas retóricas da senhora da mesma cor da parede:
"Técnica de Marketing não existe? Diz aqui que não entregou a monografia... Vai  tratar disso?
Conhecimentos de informática e Inglês… pode ser que dê, mas não chega pois não?
Sabe que tem de ir à Segurança Social?".
Sem sorrisos, sem esgares, sem…
Faltaram-lhe as palavras a ela para descrever a funcionária do Centro de Emprego como me faltam a mim no momento.

O segurança chama muitos nunos e sandros, carinas e iaras, neides e marisas. O segurança olha para todos como se fossem… desempregados. O regimento de Infantaria e Cavalaria aí está: "Recruta de seis currículos por mês, não pode recusar duas ofertas, visitas periódicas a sessões de esclarecimento". Vida ocupada a do desempregado.

Mas o segurança e a senhora da cor da parede estão tranquilos. Ele foi pai há pouco tempo. Ela... ela deve ser mãe de alguém. E sobre a mãe de alguém não devemos dizer que tem as unhas sujas  ou que é da cor da parede. Mas sorria senhora… vai ver que sobressai. Sorria mesmo que isto não esteja para sorrir, que eu também sei que vai trabalhar na terça-feira de Carnaval e no 5 de Outubro. Estamos todos do mesmo lado, somos todos filhos de alguém e quase todos pais de alguém. Sabe… os desempregados também.
Amanhã ela não volta ao centro de emprego. Mas a senhora que, caso sorria se destaca da parede, essa vai continuar até à reforma por ali. Não se vão ver mais estas duas.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

mulheres que amam como homens

Mulheres que amam como homens são belas, amam em lençóis alvos ou em sofás, no chão ou nos carros se preciso for. Amam geograficamente como as mulheres que amam como …. mulheres! Mas as mulheres que amam como homens despojam-se de toda a beleza, de toda a maquilhagem, de todos os leques e de todos artifícios que possam segurar o outro. Seja o outro homem ou mulher. Os homens são o que são. Generalizando, e não poderia ser de outra forma, só uma Leonor que não precisamos muito bem de saber quem é, de que interesses se move, de que paixões de alma necessita, quais as palavras que lhe saem da boca… só uma Leonor espantaria Camões com uma ode assim encantada a caminho da fonte. Mas o contrário… não me parece. Se o Paul Newman fosse a caminho da fonte ou do carro, da papelaria ou de casa, não haveria mulher que lhe dedicasse uma ode louca por mais que o achasse bom até aos ossos. Nós homens, ou pelo menos os tontos como eu, vamos amando desmesuradamente com os pés no ar a toda a hora e quando caímos, quando caímos choramos como perdidos, lembramo-nos da mãe e achamos que o mundo acabou. Elas choram por dentro. São mais subtis. E essa subtileza assusta na imperdoável luta pelo amor que domina tudo e faz girar o solitário e o preenchido. As mulheres que amam como homens são dependentes, nunca faltam e merecem tudo o que lhes for reservado. O pior é que ninguém gosta da dependência… e só uma mulher consegue aturar e ao mesmo tempo mimar o rapazinho mimado que já existe em nós, que não sabemos ser outra coisa que não vampiros do sexo ao carinho, da maternidade ao desprezo. A mulher bela, a que ama em lençóis alvos, está à espera de ser amada. E geograficamente, esta em particular, até pode amar na lua porque estará sempre com os pés no ar.