terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Ressabiado na Gala. ui...

Devo deixar aviso prévio: o que escrevo e o que me move é ser um profundo ressabiado… mas realizado com o amor, sobretudo. Amor, esse lugar-comum que continua no top das coisas mais importantes da vida… outro lugar-comum. Posto isto, acrescento que eu sou também o alimento das coisas de que não gosto ou não gostamos. Perdoem-me. O que desboco por não ter dormido é uma espécie de desabafo sobre o pequeno mundo em que pessoas invejosas como eu merecem viver. Um destes dias fui à minha primeira gala. Muito critiquei the Oscars, as passadeiras vermelhas e os Globos de Ouro… da SIC entenda-se. Mas devo dizer que, no que toca a reconhecimento, tenho de admitir que os Globos de Ouro… os da SIC entenda-se… separam convenientemente categorias e, se é para brincar a Hollywood, eles sabem brincar muito melhor do que a gala da SPA a que assisti durante quatro horas com o rabinho no mesmo assento, confortável entenda-se. Fui porque o programa para o qual trabalho com muito orgulho foi nomeado para os prémios e destilo agora tudo porque…. não ganhou. Se ganhasse, o programa para o qual trabalho e onde me sinto bien bien bien, pensaria tudo igual mas não o diria, tenho quase a certeza. Portanto sou uma merda. Disso nunca tive dúvidas. Mas sou uma merda divertida que sabe brincar consigo próprio(a), da hipocondria à distracção, do tamanho dos pés à ignorância. E sou também uma merda transparente, não faço mal a ninguém e sou um menino pequenino num corpo de um tipo com 36 anos.

E então sobre a minha primeira gala? Uma palavra para o meu primeiro jantar de gala: uma sandes de frango Havai da Galp e uma sopa de pântano. Mudança de roupa no carro, nada de gravata, barba com certeza e lenço para o pescoço… com certeza. Depois, e já no CCB, uma perna ou outra que me desperta a atenção, a vontade de beijar o Bruno Nogueira, o Nuno Lopes ou o Valter Hugo Mãe (sobre as mulheres não falo e é verdade que não as gosto vestidas como nos casamentos…, lembra-me sinos e arroz para cima das pessoas… mas sim havia algumas poucas bem bonitas…. deixo os comentários para a sapiente e elegante pipoca mais doce)… o Valter Hugo Mãe e… e os outros que tinha vontade de beijar beijei, porém o Eduardo Lourenço fugiu-me.

Então e os prémios? Ainda bem que perguntam! Detesto perder. Fiquei a saber que Coimbra é uma cidade do Norte, conheci livros para a infância que julguei não existirem, percebi que somos um país de muitos autores e poetas mas que, de facto, não deve existir muita poesia e que teatro bom não o há no Minho, no Algarve, na Beira Baixa, no Alentejo, em Trás-os-Montes... ou até no Porto. Pois, mas conheci melhor ao serviço do programa para que trabalho As Comédias do Minho, a Palmilha Dentada que recusava ver por desinformação e tantos outros trabalhos entre enormes trabalhos que não cabem aqui, mas que cabem num país pequeno. E sim, gosto da Cornucópia, do Luís Miguel Cintra e do Sangue do Meu Sangue… muito, e dos actores do Sangue do Meu Sangue.

Arrotando baixinho e com toda a elegância a sopa de pântano e o frango Havai, delirei quando os miúdos à minha frente – que por preconceito achava nomeados para melhor banda hip-pop – foram os vencedores para melhor peça de teatro. Apesar do centralismo da crítica e do júri, apesar de não perceber o que é entretenimento e o que é informação, apesar de não perceber o que é música - como muitíssimo bem perguntou Catarina ao maestro com o Emanuel ali ao lado a poder responder-lhe – apesar de isso tudo, foi lindo ver a alegria de todo um grupo em palco, sem hipocrisias a vibrar com reconhecimento. Falo dos miúdos da melhor peça de teatro.
De resto, tenho mensagens: João Reis sobe uma oitava. Catarina não te digo nada. Alexandre Almeida, o Kameraphoto deveria ter ganho para eu me sentir parte de Portugal, mas obrigado João Pina pelo teu discurso contra a censura, o esvaziamento das Redacções e o Jornalismo Low Cost crescente. Sabes João, as pessoas tiveram de olhar umas para as outras a pedir autorização para palmas, embora quisessem muito batê-las, as palmas.

Mensagem extra: Malta de Coimbra que sabe que a vossa cidade a nível cultural autárquico é um marasmo – perguntem aos artistas de Coimbra se não é verdade – malta, por favor não invadam a SPA em protesto pelo prémio porque para o ano há mais e não estaremos lá. Queres tu ver que para o ano sou nomeado para o melhor pano de cozinha ao pescoço!!!


P.S. A minha consciência disse-me para não escrever isto. Mas juro que sou boa pessoa e que daqui a pouco volto a tentar escrever coisas fofinhas com flores e amor, com arco-íris que também têm preto e com sonhos de mãos de tesoura com mundos de algodão.

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