domingo, 5 de fevereiro de 2012

mulheres que amam como homens

Mulheres que amam como homens são belas, amam em lençóis alvos ou em sofás, no chão ou nos carros se preciso for. Amam geograficamente como as mulheres que amam como …. mulheres! Mas as mulheres que amam como homens despojam-se de toda a beleza, de toda a maquilhagem, de todos os leques e de todos artifícios que possam segurar o outro. Seja o outro homem ou mulher. Os homens são o que são. Generalizando, e não poderia ser de outra forma, só uma Leonor que não precisamos muito bem de saber quem é, de que interesses se move, de que paixões de alma necessita, quais as palavras que lhe saem da boca… só uma Leonor espantaria Camões com uma ode assim encantada a caminho da fonte. Mas o contrário… não me parece. Se o Paul Newman fosse a caminho da fonte ou do carro, da papelaria ou de casa, não haveria mulher que lhe dedicasse uma ode louca por mais que o achasse bom até aos ossos. Nós homens, ou pelo menos os tontos como eu, vamos amando desmesuradamente com os pés no ar a toda a hora e quando caímos, quando caímos choramos como perdidos, lembramo-nos da mãe e achamos que o mundo acabou. Elas choram por dentro. São mais subtis. E essa subtileza assusta na imperdoável luta pelo amor que domina tudo e faz girar o solitário e o preenchido. As mulheres que amam como homens são dependentes, nunca faltam e merecem tudo o que lhes for reservado. O pior é que ninguém gosta da dependência… e só uma mulher consegue aturar e ao mesmo tempo mimar o rapazinho mimado que já existe em nós, que não sabemos ser outra coisa que não vampiros do sexo ao carinho, da maternidade ao desprezo. A mulher bela, a que ama em lençóis alvos, está à espera de ser amada. E geograficamente, esta em particular, até pode amar na lua porque estará sempre com os pés no ar.

1 comentário:

  1. ...sempre me interessou esta coisa do amor, de homens e de mulheres, mais masculino e/ou mais feminino ou vice versa; as diferenças, os complementos, as dependencias e as insustentáveis liberdades dependentes; a interacção (sim, como "antigamente") entre dois seres que se buscam conhecer e aprender. Procura-se : Mulher "que ama em lençóis alvos": também eu (ainda) espero ser amado.
    Óbrigadinhus Nuno!

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