Ter recibo verde permite-me ficar em casa às vezes muitas vezes vezes de mais nunca me canso sei lá eu e acho que gosto. Trabalhar a partir de um telefone fixo, dormir até às 16h00, ficar acordado até às 04h00, passar pelas brasas e ir para a cama às 05h00… hum, deitar-me na cama aquecida e fazê-lo com movimentos que se ouvem no silêncio todo da casa. Claro que essas minudências de descontar quase o ordenado todo e ser literalmente perseguido pelos serviços nada secretos que perseguem pessoas ricas como eu não retiram o prazer da coisa. Não me deixam dormir bem aquelas horas diurnas mas este país não é para malandros. Como diz o meu santo pai: “filho, não te preocupes que este homem vai resolver tudo”. E eu então fico mais descansado, bastante mais descansado porque é sempre bom um conselho paternal. No dia em que as coisas forem mesmo ao osso eu posso acusar o meu pai e dizer: “então!” Mas a vida não é uma guerra com o meu pai. Há mais vida para lá do … ah ah…. Para lá do conflito com o meu pai. A propósito, inventei uma frase esta semana que gostava de pôr à consideração do Freud que vem cá jantar às sextas-feiras. A frase: “quando nos morre a mãe morre-nos tudo, quando nos morre o pai morremos nós próprios”. Continuando com o sofá, a televisão, o telefone fixo e as perseguições... escrevia eu: Valha-me o prazer, ainda, de fazer o que gosto. Quando acordar bem cedo, e prometo fazê-lo não se preocupem, irei ao bairro 5 resolver a coisa ou minimizá-la, mas entretanto vou ficando com os perigos de ficar em casa, engordando (palavra que o Governo detesta) e achando, vejam lá, que a agente Lisbon hoje estava mais bonita do que o normal, que o Luther é mesmo bom porque comete imensos erros e sofre de amor, que às vezes me passa por fracções de segundo ser o Manuel Subtil e entrar no canal 1 da RTP e barricar-me, na SIC generalista e barricar-me, na TVI e barricar-me. “Só saio daqui quando tirarem os gordos, as velhas, os ranchos, as comidas tradicionais e os viúvos dos vossos estúdios!”. Depois, ao sair algemado os intelectuais batem palmas e a minha mãe ao fundo a fazer o “pelo sinal da santa cruz livre-nos deus nosso senhor…” . Esperem, está a começar mais um episódio do CSI Las Vegas… e gosto realmente disto eu que nunca pude ver imagens de operações e transplantes nos blocos noticiosos, ah… e ainda enho gravadas muitas outras coisas. Hum, a BBC evoluiu muito na ficção, o Jon Stewart é coisinha mais saudável que existe, tanta coisa entre telefonemas e textos e textos e textos. Então e o blog ou blogue? Ai que me esquecia! Sei lá… vamos a um conto qualquer ou espécie, vamos a isto: “ela olhava o sol para se alimentar convencida por uma nova seita….” Esqueçam, o assassino não é quem o Patrick Jane achava que era?!
P.S. Alguns dos nomes podem ser cifrados para quem não é viciado em televisão como eu. Como não poderia ser se vi o Banderas com outro homem, se vi as caras da Béatrice Dalle e da Adjani na expressão de dor e prazer em simultâneo, se vi o Madjer a marcar um golo na neve às duas da madrugada… eu que naquele tempo ainda tinha de pôr depertador para acordar às duas da manhã. Ainda não estava a recibo verde… tinha 11 anos.
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