sábado, 10 de dezembro de 2011

Já adorei pornochachada. Não, obrigado.


Depois de dias a ver odes sobre bordas da pornografia, para não dizer limites nem outras chatices, venho por este meio não literário nem coisa alguma partilhar que nem sempre existe cocaína numa orgia, que nem sempre existem mulheres e homens suficientes numa orgia… Nas que eu conheço. E no mundo que eu conheço, com direito a odes ou não, bastam 50 euros para pôr o sexo no devido sítio e soltar palavras porcas à vontade sem que nos espreitem. E quando saímos somos os mesmos defensores das boas práticas e dos direitos femininos. Quando saímos falamos mal dos políticos e da corrupção, das chacinas da televisão e da pouca cultura dos outros.
A Lara, portuguesa, dorme 5 horas por dia porque de cada vez que toca a campainha tem de se apresentar ao cliente. Se for escolhida tem meia hora de vaginal e oral ou uma hora… com anal extra. Se não for escolhida, passa desmaquilhante e volta a dormir vinte minutos até ao próximo cliente; A katja, bielorussa, fica quinze dias no Alentejo numa casa de “sobe e desce” e ganha 20 euros nas garrafas de espumante rançoso que são compradas pelos senhores a 70 euros. Sempre alcatifa, sempre Tony Carreira e outros portugueses românticos, de vez em quando música do Nordeste do Brasil e muitas pernas nos colos e barrigas dos tipos de gargalhada fácil e bem sonora; A Lina, a romena, tem a pensão por uma semana e “bochechos” faz no carro… mas só os bochechos porque “pitinha é no segundo andar” e não pode deixar o rapaz lamber as “maminhas porque ainda está a amamentar”. Aqui não há coca nem odes à graciosidade, mas também há tesão, necessidade e muita esposa devota traída por betos de todos os quadrantes políticos e apolíticos, morais de mais ou amorais. Aqui não há swing que o valha nem chaves de mercedes ou volvos (para dizer marcas de gama média alta à sorte) jogadas numa terrina que já serviu pudim e agora serve a troca de casais.
Aqui há cheiro a esperma, cheiro a lubrificante, cheiro a todos os números de Chanel, de vez em quando silicone, papel higiénico em cima de uma mesa-de-cabeceira, o cheiro a pénis mal lavado e provavelmente só lavado neste dia (ah sim… um, dois, três diga lá outra vez com direito a editar mais um livro… sinónimos de pénis: pila, piça ou pissa? pixota, mangalho, caralho, caralhete, cacete, zezinho, mangueira, tarolo) … aqui há escadas e homens que nunca se cruzam, a porta com uma luz acesa 24 horas e infecções urinárias a dar com um pau. Está boa assim a descrição? Se fui suficientemente boçal… foi um prazer.
De coca já foi tempo e de degredo também… de memórias, entre as falsas e as verdadeiras de outra vida ficam sempre as imagens mais podres e a luxúria nem sempre teve de misturar drogas. Bastava misturar a mentira em larga escala para ter na mesma cama e no mesmo dia a mãe e a filha a falarem mal uma da outra e a gemerem da mesma forma. Isso já é outra louça...
 A coisa não tem graça quando é paga. Nem para nós, nem para eles nem para elas nem para eles/ elas. Não confundam é Ubaldo com pornochachada, não confundam Miller com série B, não achem que qualquer memória desprovida de sensatez seja suficientemente louca para vos deixar loucos…. Mas isso vocês sabem. E agora estou a ser moralista e invejoso, puta que pariu.  

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