domingo, 4 de dezembro de 2011

Mother do you think they....

Mâe, é verdade o que te escrevo, embora o tenha dito a várias teclas de computador, a múmias e a invertebrados. Amo-te.
Mamã vomita lá o Salazar no bidé e acredita: a droga não faz assim tão mal.
As patentes e divisas dos meus manos são mais altas eu sei… como sei que eles vestem decentemente e são contra os homossexuais, que não gostam de arrumadores e rosnam que “os árabes ainda vão foder isto tudo”. Mãe, sabes que não quis escrever “foder” mas… acho que é o que eles dizem mesmo e tu estás farta que eu minta não é? Mãe, hoje quero colocar-te o seguinte cenário: E se eu tivesse feito o que me aconselhaste? “Sempre calado e a respeitar o patrão”. Poderia estar ainda a carregar sacos de arroz e a meter gasolina… mas lembras-te que nesse Verão portei-me bem no emprego de praia. Não refilei e vi o patrãozinho mandar os outros seis empregados homens/crianças “espetar” a empregada dos gelados. Ela foi espetada pelos seis na mesma noite, na mesma praia sob o mesmo luar… e deve-se lembrar como eu me lembro. Eu não fui! Mas também não refilei nem fiz nada mãe, portei-me bem vês! Respeitinho.
Depois lá veio o pasquim. Mãe, eles gozavam porque eu lia romances latino-americanos e queriam que eu escrevesse OTAN em vez de NATO. Saí e fui dar aquela volta que até ontem me atiravas à alma por causa dos recibos verdes e dos telefonemas que te fazia a pagar no destinatário. Quando voltei ao pasquim ele estava pintado de laranja em todas as divisões. Fui apanhado a copular com uma fotocopiadora, meti cunha a um embaixador, vi corpos a boiar, entrevistei damas de espadas que diziam ter o deus delas de andar por casa, ouvi que o «guerra e paz» era do Dostoevsky, estive frente a frente com um homem que disse ser a reencarnação do Agostinho da Silva e vi transformarem-se todos os poemas do Eugénio em tulipas. Não aguentei, sobretudo porque as patroas ouviam scorpions e diziam a toda a hora a frase “boa noite e um queijo”. A patroa mor perguntou-me se eu fumava charros… eu disse-lhe: sabe, a droga não faz assim tão mal.
Mãe, diz-me hoje o que hei-de fazer? Embora eu… embora eu saiba o que vais dizer: Que a droga, afinal, não faz assim tão mal
  

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