Esta semana comprei o saco. E no saco, com a revista «Única» dentro, vem um artigo ou crónica assinada por Luís Pedro Nunes. Sob o título «Pânico é Coisa de Macho», ele vai escrevendo coisas com alguma graça, de facto, aludindo às depressões de pessoas tão importantes como Horta Osório e outros que tais. Até aí tudo bem, porque a minha hipocrisia estava-se marimbando para a saúde do senhor burguesito, independentemente da forma como deve ter escalado a montanha do sucesso de gestão bancária. Mas como qualquer outro tipo egoísta, o problema foi quando me tocou a mim. E isto é soa-me a coisas que andam por aí… isto de quando toca a nós. Sim, eu sei que já perceberam, desculpem meus três leitores amigos e amorosas pessoas. Portanto, eu pobre me indignei quando Luís Pedro Nunes – responsável por o «Inimigo Público» ter perdido piada – pensou no seu tom mais sério para escrever… e transcrevo: “Os ataques de pânico, antes exclusivos de brokers e financeiros, estão a tornar-se uma epidemia de quadro médio e superior, que no silêncio da secretária vão acumulando stresse e mantendo uma cara de póquer. Até um dia estourar. E o problema começa logo pelo nome da coisa: ‘ataque de pânico’ (…) Em vez de ataques de pânico, bastaria chamar-lhe SEAL – Síndrome de Excesso de Adrenalina Lixada, para ser mais aceite e desmistificado entre a comunidade de gajos que tem dificuldade em acreditar que são mortais”. Gajo… Luís, ouve, é verdade que este gajo que sou tem essa dificuldade diária, porque tem/tenho medo de morrer mais vezes do que os que não têm medo. No entanto, o gajo Luís Pedro Nunes está equivocado quanto à origem social dos ataques de pânico em brokers e financeiros, e comprovo com factos: olha para mim! Passo a descrever: Pai e mãe… quarta classe. Ela não tinha ordenado, ele tinha uma pensão de invalidez que hoje continua nos fabulosos duzentos e qualquer coisa euros. A única palavra que saía da boca da mãe era o sufixo “obia”, “obia”, “obia”, que era o que ela repetia a chorar quando apanhei com uma pica de Valium no rabo. Era o que ela percebia do que o médico de um hospital de uma pequena cidade da Beira Alta – esse círculo financeiro e bolsista espectacular – lhe tinha dito para explicar por que estava eu a morrer. A “obia” tornou-se “fobia” e depois “ataque de pânico”, palavra que a mãe consegue pronunciar e perceber. De financeiro eu não tinha nada, de falhado muito, mas consigo ser melhor palhaço que o Luís Pedro Nunes. É que um palhaço chora e ri, não tem meio-termo. Quando um palhaço se quer tornar sério é porque alguma coisa vai mal nas suas piadas. É melhor manter no humor e nem sequer evocar psicologia, medicina geral ou bom senso porque eu gajo que ainda vai nas centenas de euros de ordenado continua, de facto, a ter medo de morrer apenas. É a minha maneira de ser macho! Tenho de parar… dói-me o peito.
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